Meu relógio no pulso indica que estou atrasado.
Bebo o conhaque, fumo um trago,
ajeito a gravata, arrumo o cabelo,
mas a cara de desgosto
ao se olhar no espelho
sabe que a vida anda sem sentido
em meio a tantos sentidos que lhe dera:
profissões que tivera,
moças que namorara,
tantos livros que lera,
tantos que escrevera.
Deus nem Nossa Senhora virão
para lhe consolar.
Boceja no corredor, sem um amor,
entediado, mas cínico o suficiente
para ao escritório se dirigir
e agir, de modo eloquente,
nas vidas sem nenhum ardor;
com seu dissabor, sorri ao dizer,
com prazer: "E pra você, o que seria?
Que posso fazer para te resolver
essa coisa a qual chama de vida?"