Não tive o berço d’ouro da abastança,
Nem sonhos fartos à sombra da opulência;
Coube-me o pão que a rude circunstância
Pisa o diabo, em dissimulada irreverência.
Outros, porém, na plácida bonança,
Vivem sem dor, sem luta ou resistência;
Corre-lhes mansa a vida, em segurança,
Ensalada em tédio a fácil existência.
Mas qual o privilégio dessa sorte?
Nadar em mar de tédio, num rodeio,
Naquilo sem valor sendo tão caro?
Desse vão ridículo prefiro a morte!
Pois nem serve de triste o fútil fado.
E mastigo orgulhoso o pão do diabo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário