Que lindos somos nós, no espelho vivo
Do amor que em dois se aprende a respirar:
Teu gesto em mim descansa, e eu, cativo,
Me vejo em ti — mais perfeito a te amar.
Na alma, a mesma luz; no sensitivo,
O mesmo fio oculto a nos ligar;
No corpo, a harmonia do motivo
Que a carne apaixonada sabe entoar.
Beleza é este acordo tão distinto
De ser em dois sem nunca dividir-se,
Um duplo incêndio manso e rigoroso.
Pois quando a forma ao sonho enfim se alia,
O tempo, lento, faz-se generoso
E em nós se perde, manso, à revelia.