Nas ondas onde a Nau Catrineta arfa,
Camões cantou Amor em versos d'ouro,
Mas entre estrofes de divino louro,
Havia fogo que a túnica desgarra.
"Ouvi dizer que nunca amou quem ama" —
Mentira de poeta, falso chouro!
Que sabe ele do gozo, do tesouro
De mãos que desabotoam, pele que esparrama?
Eis Bocage, o sarcástico, o profano,
Que não fingia: amor era também
Suor, gemido, e alguns lençóis molhados.
Da Lusíada ao soneto libertino,
A língua portuguesa fez-se afano —
E no afano, meu bem, fomos sagrados.
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