segunda-feira, 9 de março de 2026

De Camões a Bocage, sobre o amor em língua portuguesa da elegância à safadeza

Nas ondas onde a Nau Catrineta arfa,

Camões cantou Amor em versos d'ouro,

Mas entre estrofes de divino louro,

Havia fogo que a túnica desgarra.


"Ouvi dizer que nunca amou quem ama" —

Mentira de poeta, falso chouro!

Que sabe ele do gozo, do tesouro

De mãos que desabotoam, pele que esparrama?


Eis Bocage, o sarcástico, o profano,

Que não fingia: amor era também

Suor, gemido, e alguns lençóis molhados.


Da Lusíada ao soneto libertino,

A língua portuguesa fez-se afano —

E no afano, meu bem, fomos sagrados.

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