Por que me sinto só, se estou cercado,
se a multidão me envolve em seus enganos?
É como se esse mundo, após seus planos,
deixasse o meu destino abandonado.
No alarido febril desta cidade,
um silêncio me corta mais profundo;
ecoam pelas salas deste mundo
as sombras frias de uma saudade.
Mesmo tendo quem ame no caminho,
carrego um coração que não responde,
como quem busca luz que não se esconde
e encontra apenas névoas no sozinho.
Por quê? – pergunta a alma sem guarida,
no vão deserto em que se perde a vida.