segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Abandono

Por que me sinto só, se estou cercado,

se a multidão me envolve em seus enganos?

É como se esse mundo, após seus planos,

deixasse o meu destino abandonado.


No alarido febril desta cidade,

um silêncio me corta mais profundo;

ecoam pelas salas deste mundo

as sombras frias de uma saudade.


Mesmo tendo quem ame no caminho,

carrego um coração que não responde,

como quem busca luz que não se esconde


e encontra apenas névoas no sozinho.

Por quê? – pergunta a alma sem guarida,

no vão deserto em que se perde a vida.


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Anotação para Carol

Meu coração tem tuas manias,

e meus olhos, os teus dias,

em que o ontem corre feito rio.

Sou constituído disto, a teu viés

e, portanto, apenas por isto,

é que sou, e desejo ser lindo

Como tu és.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

De como Deus fez o mundo

Uma noite fui à praça beber conhaque,

e bebi por todas as dores do mundo,

inclusive as minhas.


E fiz um poema —


não porque sou vagabundo ou bom poeta;

títulos não vislumbro, nem medalhas,

mas como Deus fez o mundo,

por mera tara.


Certo por linhas tortas,

como os desatinos seus,

Deus fez o mundo porque quis —

e isso a ele basta.


Assim também os poemas meus,

errantes, mas em linha reta,

porque Deus é Deus,

e eu, poeta.

Dentro de ti

Dentro de ti

moram as belezas da vida,

as delícias que se atinam

dentro de ti.


Dentro de ti

se faz teu olhar singular,

que vejo, atento, em devoção,

dentro de ti.


Dentro de ti

se fazem os gestos teus,

tão caros tesouros da vida,

dentro de ti.


Dentro de ti

transborda quem tu és

para mim,

dentro de ti.


Dentro de ti,

descubro quem és,

me apaixono inevitavelmente

dentro de ti.


Dentro de ti,

no mais puro amar,

desejo viver

dentro de ti.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

À Demain, Mon Amie

À demain, mon amie

Je suis très content,

je suis celui qui doit venir —

dans demain, dans ici.


Ce qui doit venir, c’est la justice,

la fraternité, l’amitié,

l’amour, la beauté.


À demain, mon amie,

voyons — nous serons.


Toujours, c’est la vie :

ni bonne, ni mauvaise,

mais à construire.


C’est l’amitié,

l’amour, la beauté.


À demain, mon amie —

je t’aime.


-----


[G]

À demain, mon amie,

[Em]

je suis très content.

[C] [D]

Je suis celui qui doit venir,



[G] [Em]

dans demain, dans ici.

[C]

Ce qui doit venir,

[G]

c’est la justice,

[Am] [D]

la fraternité, l’amitié,


[C] [G]

l’amour, la beauté.

[G]

À demain, mon amie,

[Em]

voyons — nous serons.


[Am] [D]

Toujours, c’est la vie :


[C] [G]

ni bonne, ni mauvaise,

[Am] [D]

mais à construire.


[C] [G]

C’est l’amitié,

[Am] [D]

l’amour, la beauté.


[C] [G]

dans demain, dans ici.

[C] [G]

Ce qui doit venir,

[Am]

À demain, mon amie —

[D]

je t’aime.


[G][C] [G][C]....