quinta-feira, 5 de março de 2026

O maior privilégio burguês

Não vim de berço esplêndido à jornada,

Nem tive a lua dócil por destino;

Não me embalou o ouro peregrino,

Nem me sorriu fortuna anunciada.


Cedo aprendi, na lida fatigada,

Que o pão se ergue do esforço matutino;

E sigo, entre incertezas, o caminho

Que a dura vida ao homem foi traçada.


Assim prossigo, austero, em desalento,

Sustendo o peso amargo da incerteza,

Que ao pobre a cada aurora se renova;


Pois grande é o luxo, caríssimo  privilégio:

Dormir sem temer o amanhã e a incerteza,

É esta a maior dádiva da vida burguesa.

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