Cultivo o desejo pelas curvas,
Por isso me apetece a fêmea, naturalmente.
Como caminhos a descobrir,
No desejo idealista pelo inexistente,
Pela possibilidade, histórias a conhecer.
A subjetiva criatura, em seu modo de ser,
Fui criado para tanto? Não sei dizer.
São vãos os meus encantos? Não posso crer.
Mas não há graça nas outras criaturas,
E há natural disfarce no outro gênero,
Meus olhos não os perseguem,
Pela ausência de algum mistério.
Mas fêmea atiça a curiosidade,
Além do desejo da carnal,
Mas pelo meu natural: não sê-la.
Nesse sentido, a curiosidade de criança,
Se vendo diante de maior criatura,
Se rende aos encantos e à sua ternura,
Que não compreende, assim como deusa,
Não podendo sê-la, quer lhe dar graças,
E a fim de seu ápice todo o ardor rendível,
Para ver sua face despida na pequena morte,
Possui a única sorte, do único gozo possível.
Criatura tão bela e formosa,
Que quando não bela, querida,
E por isso, também bela,
Pois mulher construída.
Meu interesse por todas cativa,
Sincero respeito e gentileza,
Pelas dores que no ventre cultiva,
Origem essa, de toda beleza.
Em um mundo de tanto despeito,
São para mim sacerdotisas da vida,
Gênese e síntese de todo o divino,
Que dá luz a matéria desvanecida.