terça-feira, 31 de outubro de 2023

As Mulheres

Cultivo o desejo pelas curvas,

Por isso me apetece a fêmea, naturalmente.

Como caminhos a descobrir,

No desejo idealista pelo inexistente,

Pela possibilidade, histórias a conhecer.


A subjetiva criatura, em seu modo de ser,

Fui criado para tanto? Não sei dizer.

São vãos os meus encantos? Não posso crer.

Mas não há graça nas outras criaturas,

E há natural disfarce no outro gênero,

Meus olhos não os perseguem,

Pela ausência de algum mistério.


Mas fêmea atiça a curiosidade,

Além do desejo da carnal,

Mas pelo meu natural: não sê-la.


Nesse sentido, a curiosidade de criança,

Se vendo diante de maior criatura,

Se rende aos encantos e à sua ternura,

Que não compreende, assim como deusa,

Não podendo sê-la, quer lhe dar graças,

E a fim de seu ápice todo o ardor rendível,

Para ver sua face despida na pequena morte,

Possui a única sorte, do único gozo possível.


Criatura tão bela e formosa,

Que quando não bela, querida,

E por isso, também bela,

Pois mulher construída.

Meu interesse por todas cativa,

Sincero respeito e gentileza,

Pelas dores que no ventre cultiva,

Origem essa, de toda beleza.


Em um mundo de tanto despeito,

São para mim sacerdotisas da vida,

Gênese e síntese de todo o divino,

Que dá luz a matéria desvanecida.