Reclama, pode reclamar
Da faca que carrego na jaqueta
Do revólver que carrego no carro
Do meu jeito, sem etiqueta
Da bala na agulha
Do ódio no peito
Da revolta que trago
Dos furtos que faço, reclama
Mas no fim diz que me ama
Quer morar nos meus braços
Me engana, sabe enganar
E ama, no fim está a amar
Joga teu laço
E amarra, apertado
Me chama e não tardo
Cedo, de desejo já ardo
Ainda que fosse mesmo perigoso
Como dizes, e reclama
Se engana, de um jeito gostoso
Pois mesmo que eu fosse, a contragosto
Não é nada perto do ser mulher
Que rouba os olhares e furta corações
Faz sonhar doces ilusões
Viver extraordinárias emoções
E mata de desejo o homem soberbo
Perdendo a razão em te desejar
Na ingenuidade de um menino
Acreditando poder te domar
Reclama, diz que me ama
Ama, pode reclamar
Mas o teu perigo é o mais perigoso
Que se pode enfrentar
Inédita criatura
Teus crimes e pecados
Na tua formosura
São os mais divinos
Quero sempre ser roubado
Por teus olhos cativos
Me roube a roupa e os beijos
Me tens inteiro, ao teu desejo
Ao teu dispor, ao teu calor
Então não reclame
Me tens por inteiro
Indolor, meu amor
femme fatale, dolce inganno
Venha me roubar todos os planos
E me trazer pra perto
Do teu corpo
Me dê tua alma
Teu seio
Teu gozo
Teu suor
Te quero inteira
Dos pés a cabeça
Teus desejos
São para mim sentenças
Estrela D´alva
Minha oração
Jóia rara
Minha salvação
Reclama, diz que me ama
Ama, pode reclamar
Mas o teu perigo é o mais perigoso
Que se pode enfrentar