Obscura têmpera, atrabílis contida,
Que em fel secreto o ânimo submerge,
E em torvo spleen taciturno converge
A seiva outrora em júbilo nutrida.
Saturnina muda, grave e entorpecida,
Que o lume da esperança aos poucos perde;
Lânguido estado em que a alma se despede
Num ermo interior, lôbrego se destina.
É bruma densa a sitiar a mente,
É visgo frio a reter-lhe o alento,
É acídia a corroer-lhe a claridade;
A patrística em mil patricídios.
Mas nesse abismo sem fim, fundo sem fundo,
Nasce um anjo triste, do útero, éterea supernova
que só assim pode iluminar o mundo.
Alimentando-o enquanto se devora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário