Não venhas com louros fáceis à fronte,
Nem com a paz das almas resignadas:
O poeta é chama em noites fatigadas,
É vento rude a sacudir o horizonte.
Traz nos olhos o abismo e a madrugada,
E canta mesmo quando tudo se cala;
Pois sua voz, que a própria dor embala,
Faz da miséria humana uma alvorada.
Não tem repouso o que na lira escreve:
Ama demais o mundo e a sua ruína;
Ri-se da lei que a mediocridade urde.
E erguendo ao céu a taça peregrina,
Bebe o fel que a vida amarga verte
E brinda à dor que a multidão não vê.
(Um brinde a Léo Ferré)
Nenhum comentário:
Postar um comentário