Peito aberto
ao tempo e ao tempo
ao mundo e as cores
deuses e amores
corre a vida, em dias e horas
corre em anos, décadas e séculos
a terra, povos e a história
mas o peito permanece aberto
A escutar causos e poemas
de tanta gente e tanta vida
tão ocupado com a vida terrena
por nada mais, que viver na terra
conheço meu lugar, tenho consciência
E o que me resta, senão pensar?
Tudo muda, também o bem e o mal
tudo gira no círculo solar
Também gira meu peito
e meu pensamento
nos dias mais cinzas
e nas noites de bêbado
E no cantar dos poetas
Na vida dos miseráveis
No sangue dos pobres
Nas tenras saudades
Peito aberto, noite adentro
foge de mim meu pensamento
Vai para longe, não volta jamais
me leva junto, para nunca mais