quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Bilhetim

A gente se cruza nas ruas,

e fica a trocar olhar.

Por que a gente não se encontra

e marca de tomar um banho?

Sei lá.


Quem sabe nós dois nus

poderíamos muito melhor nos olhar,

ou ainda, na cama,

melhor nos cruzar.


Queria mais de ti, e creio ser recíproco

pelo teu olhar.

Vamos marcar de se ver e namorar;

quem sabe assim fica mais fácil

todos esses sorrisos a me procurar.


Eu e você sem roupa,

beijando a boca, querendo se juntar.

Me permito me entregar, se

me permitir te atravessar.


Com todo o meu amor,

e calor,

fulgor.


Sei lá,

estava pensando nisso aqui,

e acho que você pensando lá.


Acabo de tomar uma ducha,

desço e vou pegar um sol.

Deixo a porta aberta,

é só chegar.

Avisei na portaria

que tu viria —

uma moça linda

para me namorar.


Com todo o seu amor,

e calor,

fulgor.


Vem cá.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. É tão glorioso ver que esta palhaçada te consome. Joãozinho, vermezinho, realmente acredita que pela vez na vida alguém poderá dizer: "tu não és escória! tu não és um farsante!". Tão bonita a certeza dessa mentira; do epílogo desta comédia.
    Grandes artistas, diante de um amor não correspondido escrevem Werther. Não-artistas, chucros por essência, escrevem: lalangueporetica.

    Você me diverte de infinitas maneiras. Eu amo quando você me brinda com o seu coração "demasiado humano" transbordando de clamor juvenil. E da mais pura e completa ilusão, da qual tenho muito mais ciência do que você jamais sequer poderia imaginar. Eu irei retornar muito em breve com vários detalhes dessa ilusão, Paris!

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