Me abandonaste, tal sujeito, como se atreve!
Se de amor e desejo por mim tanto ardeu
E de beijos dessa vontade me incendiou,
E em meu peito, nas carícias, como se ateve.
Me roubaste das mãos protetoras de meus pais,
Me ensinaste a gozar de todas as delícias proibidas,
Me fizeste descer do meu castelo, lápide esculpida,
Para me deixar livre, descontente com coisas banais.
Saíste pela manhã, com a aurora a florescer em mim,
E negligenciou as delícias que me indulgenciava,
Sem ver as flores que brotaram em nosso jardim.
Nem te vi, não soube dizer, nem saberia agora.
Não sei te olhar, baixo a cabeça, ai de mim
Por que me apresentaste a vida e foste embora?