quarta-feira, 19 de junho de 2024

Soneto de despedida

Me abandonaste, tal sujeito, como se atreve!

Se de amor e desejo por mim tanto ardeu

E de beijos dessa vontade me incendiou,

E em meu peito, nas carícias, como se ateve.


Me roubaste das mãos protetoras de meus pais,

Me ensinaste a gozar de todas as delícias proibidas,

Me fizeste descer do meu castelo, lápide esculpida,

Para me deixar livre, descontente com coisas banais.


Saíste pela manhã, com a aurora a florescer em mim,

E negligenciou as delícias que me indulgenciava,

Sem ver as flores que brotaram em nosso jardim.


Nem te vi, não soube dizer, nem saberia agora.

Não sei te olhar, baixo a cabeça, ai de mim

Por que me apresentaste a vida e foste embora?

terça-feira, 11 de junho de 2024

The drink doesn't calm me down anymore

I walk in a sad way, looking at all things.

To everyone I say, "Let him die, everything is fine."

Smoking a big cigarrs, I see hunger and misery,

And I can't do anything, but it's alright.


But the drink doesn't calm me down anymore.

Everything around is rotten and unfair,

Those who have little will have less,

Because those who have a lot want more.


I alone can't do anything,

And it seems like no one else can see,

The world is like a tower,

It's all about money and power.


But the drink doesn't calm me down anymore.

Everything around is rotten and unfair,

Those who have little will have less,

Because those who have a lot want more.


But nothing else works, other than what there is.

That's what they say, of course, my baby.

But in reality, will see hunger and misery..

Because this is the world of the bourgeoisie.


If you want everyone's life, there must be equality.

Look at everything and observe.

Bringing down the tower is revolutionary,

This is the obligation of the righteous.


The whiskey is over. I'll get my revolver.

Everything around is rotten and unfair,

Those who have little will have less,

Because those who have a lot want more.

terça-feira, 4 de junho de 2024

O triste terceiro cantar do galo

Em densas sombras, qual esfinge, o galo canta,

Seu triste fado ao despontar do dia,

Anunciando a traição que o peito encontra,

Num mundo de usura, onde impera a vilania.


Judas, qual burguês, torna-se o cristo,

Multidões a segui-lo rumo à glória,

E a moeda reluz em mãos enfermas,

No artifício de vender honra por prata,


Oh traição, oh mundo tolo e desmedido,

Onde o amor sucumbe ao uso e a trapaça,

E a virtude custa a vida ao virtuoso,

Que ao buscar justiça assina sua desgraça.


Assim, sou como o galo que anuncia com desgosto,

Um mundo inteiro que na ganância se definha,

À espera de um deus à sua imagem e semelhança,

Que à vista disso, também tudo destruiria