segunda-feira, 23 de março de 2026

Moço cordial

Ô meu povo, escute o verso

Que eu canto sem cerimônia,

Sou da roça, meio disperso,

Mas não perco a parcimônia.


Parte caipira, é verdade,

Pouco estudo, pouca escola,

Mas carrego na humildade

Mais saber que muita tola.


Muito bonito — dizem elas —

(Num cochicho meio atrevido),

Mas se encanto as donzelas,

Não é culpa deste vivido.


Pouco humilde? Pode ser,

Mas também não sou pavão,

Só não nego o meu prazer

De gostar de um coração.


Não tão vaidoso, confesso,

Mas ajeito o meu chapéu,

Que um charme nunca é excesso

Debaixo desse meu céu.


Meio mulherengo? Ora essa!

Quem me acusa não entende:

Se o sorriso delas começa,

Como é que o cabra se defende?


Que culpa tenho eu, afinal,

Se elas tanto me procuram?

Se é pecado ser cordial,

São os santos que descomungam!


Sou matuto, sim senhor,

Mas com rima e com malícia,

Faço graça do meu amor

E ironia da cobiça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário