Ô meu povo, escute o verso
Que eu canto sem cerimônia,
Sou da roça, meio disperso,
Mas não perco a parcimônia.
Parte caipira, é verdade,
Pouco estudo, pouca escola,
Mas carrego na humildade
Mais saber que muita tola.
Muito bonito — dizem elas —
(Num cochicho meio atrevido),
Mas se encanto as donzelas,
Não é culpa deste vivido.
Pouco humilde? Pode ser,
Mas também não sou pavão,
Só não nego o meu prazer
De gostar de um coração.
Não tão vaidoso, confesso,
Mas ajeito o meu chapéu,
Que um charme nunca é excesso
Debaixo desse meu céu.
Meio mulherengo? Ora essa!
Quem me acusa não entende:
Se o sorriso delas começa,
Como é que o cabra se defende?
Que culpa tenho eu, afinal,
Se elas tanto me procuram?
Se é pecado ser cordial,
São os santos que descomungam!
Sou matuto, sim senhor,
Mas com rima e com malícia,
Faço graça do meu amor
E ironia da cobiça.
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