Estranha lucidez meu ser invade e doma;
Desperto em mim — mas tudo é quase nada.
A vida passa, lânguida e cansada,
Como um rumor que à névoa assoma.
Nem dor, nem júbilo a consciência assombra;
A tudo a alma assiste, resignada:
A perda, o ganho, a glória ambicionada —
Tudo se perde numa indiferença-névoa.
Vejo demais: e ver demais me cansa.
Pensar demais dissolve a própria esperança
Que outrora ardia em férvido torpor.
Pois quando o ser se vê tão claro assim,
A própria vida empalidece em mim
E tudo é nada — e nada tem valor.
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