O vampiro, à noite, ergue seu cálice vazio,
E a lua — prata fria — lhe destila o licor raro:
Bebe a penumbra em goles homeopáticos,
Diluídos no tempo, amargos de desafio.
Nas esquinas, a boemia é sangue que escorre
Dos bares mal fechados, dos amores falidos,
Dos sambas que choram em versos esquecidos —
E ele, sedento, a tudo isso devora e morde.
Não quer a vida inteira, pesada de dia,
Mas o gole preciso, o instante, a magia
De quem sobrevive à morte em cada taça.
E assim, entre a rua e a madrugada vaga,
Vai sugando a cidade, gota após gota,
Até que a aurora venha — e ele se desfaça.
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