segunda-feira, 16 de março de 2026

Por Marx

Não foi por ouro vil, nem vã quimera,

Que ergueste a voz no pó das oficinas;

Mas porque a dor das massas peregrinas

Clamava ao céu na sombra da miséria.


Viste na História a marcha rude austera

De forças mudas, férreas e divinas,

Que, entre engrenagens, fomes e ruínas,

Tecem do mundo a trágica matéria.


E assim, sondando o abismo do trabalho,

Leste no ferro, no suor, foice e martelo,

O áspero livro da comédia humana.


Mas no fragor da luta pressentiste

Que a aurora nasce onde a ideia inside:

Qual rubra-flor brotando na matéria.

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