Não foi por ouro vil, nem vã quimera,
Que ergueste a voz no pó das oficinas;
Mas porque a dor das massas peregrinas
Clamava ao céu na sombra da miséria.
Viste na História a marcha rude austera
De forças mudas, férreas e divinas,
Que, entre engrenagens, fomes e ruínas,
Tecem do mundo a trágica matéria.
E assim, sondando o abismo do trabalho,
Leste no ferro, no suor, foice e martelo,
O áspero livro da comédia humana.
Mas no fragor da luta pressentiste
Que a aurora nasce onde a ideia inside:
Qual rubra-flor brotando na matéria.
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