terça-feira, 6 de agosto de 2024

Vazio Perfeito

A vida, como uma equação incalculável,

cuja origem se perdeu de vista.

Não pode ser facilmente compreendida,

nem mesmo encerrada em si mesma aferível.


Deve-se observar a dualidade,

característica da própria natureza,

e procurar entender a elementaridade,

a partir do que resiste de pureza.


As coisas acontecem em condições apropriadas,

portanto não há mérito que as justifique,

senão o sorteio do acaso, que lança indiferente,

sobre a gente, toda sorte de privilégios e prejuízos.


Não sou senhor de minha própria casa,

nem dono do meu próprio destino.

O que tem que ser, será; é o melhor raciocínio,

mas não me contento com a danação do mundo.


A ruína pode ser explicada com lógica,

se uns acumulam, outros são miseráveis.

Vive-se segundo o raciocínio que acolhe,

e paga-se o preço de seu pecado: a morte.


Mas o caminho da virtude é desprender-se,

de si, do simbólico espetáculo banal.

Assim, até mesmo da cruz despojar-se,

pois o TAO é o único indizível e real.


Pois, toda matéria se esvai no ar,

assim na terra, como no céu.

Se dispersa no tempo a pairar,

para noutro espaço encontrar-se ao léu.


Assim, o absurdo material e aleatório,

não encontra sentido em si mesmo,

a não ser o de reinventar-se,

reproduzir-se, mas nunca por inteiro.


Pois o absoluto se esconde de nós,

por ser desmedido, inexpresso.

O segredo casto e profundo

da misteriosa escuridão taciturna.


Assim são vãs todas realizações,

as ilusões do céu e da terra.

Pois para alcançar a causa originária,

deve-se desconstruir a si mesmo.


O Vazio é o que há de mais sagrado,

o caminho da serenidade e do silêncio.

A essência está no Vazio Perfeito,

que ensina o caminho em seu seio.


Se eu pudesse, nele transmutar-me-ia,

ainda que sem saber o que sucederia,

sabendo apenas, que seria sagrado,

e sendo assim, o vazio encarnado.


No entanto, sou matéria vã, rudimentar,

mas que apesar de preso à carcaça,

sonha em ser outra coisa, mais pura,

Ambiciona superar a criatura.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

O Louco

Em louvor à loucura, eu, Louco, vos falo,

Na estrada da vida, sem peso ou abalo.

Com passos dançantes, começo a jornada,

Sem medo do abismo, da dor ou da espada.


Sou o início, o novo, a chama que arde,

A contradição da dialética, o antagonista,

Aquele que divide, nega e persiste,

Aquele que afirma, antes que seja tarde.


Meus olhos se voltam ao céu infinito,

No caos, sou melodia, harmonia aflita.

Não temo o futuro, nem prendo o passado,

Sou o elogio da loucura encarnado.


De Erasmo a esmo, herdo a voz que desafia,

Que louva a loucura em toda a sua magia.

Pois quem, senão eu, vê o mundo em cores,

Enquanto outros tremem, perdidos em dores?


A razão se curva ao meu delírio,

Sou a faísca que rompe o martírio.

No tarot, sou o guia dos novos caminhos,

Desato os nós, desafio os pergaminhos.


Quem me segue, encontra liberdade,

Deixa para trás a amarga saudade.

Caminha sem medo, com olhos abertos,

Descobre o mundo em seus cantos incertos.


Deixai vossas dúvidas, medos e prantos,

Sede o Louco, em seus passos santos.

Pois na vida, é a loucura que guia,

Os corações que buscam a sabedoria.


Avante, sem rumo, sem destino traçado,

O mundo é vasto e o céu estrelado.

Eu, Louco, vos convido a dançar,

Na estrada da vida, sem medo de errar.


Mas para me seguir terás um preço,

Com a vida toda para pagar.

Nem alto, nem baixo, mas o que mereço,

Para tua vida do tédio salvar.


Deves decidir se vai ou se fica,

Se te enlouquece ou te ajuíza.

Se vai com todos, ou na contramão,

E se te garante nessa confusão.


A oportunidade, me disse um sábio,

É como um careca que está a passar.

Que tem de cabelo na testa uns poucos fios,

Aos quais tu, ligeiro, tens de agarrar.


Como a serpente te ofereço o fruto,

Como Prometeu, o fogo dos deuses.

E como Deus te afasto o paraíso,

E como os outros te acorrento e torturo.


Pois é assim que a vida se destina:

Toda causa antecede a consequência.

Preste atenção no contrato que assina,

Para não te enganares, tome ciência!


Serás justo, sábio e virtuoso,

E para ser isso, já tens de ser meio louco.

Como é a lógica de quem está a amar,

Mas o preço te afirmo é este:


Se me seguires, terás de se angustiar,

Verás o real das coisas, a verdade no poço.

O preço que pagas, é tua alma danar,

Por um mundo que em nada te merece.

Meus vinte anos

Entre risos e festas, o tempo voa,

Em jovialidade ardente, a vida espera.

Nos campos e ruas, meus passos dançam,

O brilho nos olhos, o mundo encanta.


Juventude vibrante, em pleno esplendor,

Cada instante é vivido com fervor.

As noites sem fim, o céu estrelado,

Sonhos e amores, tudo é dourado.


Mas o tempo, constante, não se detém,

A sombra da vida persegue o infante.

Em meio às risadas, há um eco distante,

É a morte que se avizinha também.


Mesmo na alegria, a transitoriedade,

Sussurra baixinho, a realidade.

Que a morte, sutil, sempre espreitava,

Enquanto a juventude se esvaía na estrada.


Restando narrar, que o tempo voou,

Na jovialidade ardente, a vida passou.

Nos campos e ruas, os passos dançaram,

E o brilho nos olhos, o mundo encantaram.


Mas na filosofia do viver serenamente,

Encontro o consolo, constantemente.

Que a chama da vida, em seu breve ardor,

É o que nos faz sentir o real valor.


Assim, celebro grato cada instante querido,

Mesmo sabendo que tudo é vaidade e acaba.

Meus vinte anos, efêmera primavera da vida

Hão de ser memórias a serem celebradas.


Não sei se irão sobreviver em minha memória

As estrelas do oriente, horizontes, paisagens,

Ou se será o futuro um eterno obtuso

A resposta está além dos deuses.


Meus vinte anos de boy, that's over, ok,

Mas há muito mais para ser e estar.

Do que um jovem, em tudo aprender,

Coisas que só depois se pode achar.


Meus vinte anos, registro para recordar,

De um período que está penhorado.

Mas que deseja a todas e todos o melhor,

Dessa vida única e eterna, enquanto durar.


Para isso fomos feitos, para o abraço e o beijo,

Os braços longos para os adeuses, o sentir para existir.

E o fado de realizar a vontade dos deuses,

Que só existem porque não se pensam.


Diante da incerteza, do absurdo universal,

Reverencio o infinito, mistério divinal.

Entre o universo e suas estrelas atônitas,

Resta dizer, quem sabe, até a próxima.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Le rouge et le noir

Il faut du rouge pour être belle,

Le noir pour le contraste.

La femme qui comprend ces lois

A parmi tous de l'importance.


Yeux brûlants dans l’obscurité de la nuit,

Les couleurs dansent dans les corps,

L’éternité en un instant,

C’est la passion des amants.


Rouge pour être belle,

Noir pour le contraste,

Le corps de la femme est fantastique.


Rouge pour être belle,

Noir pour le contraste,

Pour elle toute la gloire et le désastre.