segunda-feira, 16 de março de 2026

Tanto Faz

Num lúcido torpor minh’alma se suspende,

Clareza fria em véu de entorpecida calma;

Mais penso — e mais o mundo, exausto, assim me rende,

Como se a vida fosse um eco vago n'alma.


Vejo tudo demais, e o excesso nada entende:

A dor, o riso, o bem — tudo se torna nada

De um gesto indiferente, onde o sentido pende

E o peso do real se dissolve e se acalma.


Ah! lúcida prisão que o ser em névoa envolve,

Onde a razão, cansada, o próprio ardor dissolve

E o pulso da paixão se exaure e brando jaz;


Pois tanto vê meu ser, que o ver se torna vão,

E a própria existência, em lânguida razão,

Cai na tranquilidade de um tanto faz.

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