Já faz tempo que fui embora
Há muito que segui meu caminho.
Achei que vivia bem sozinho —
e vivo bem só, mundo afora.
Mas acontece que eu pensei...
E, na verdade, não pensei em nada.
Achei que devia seguir pela terra,
traçar nela minha jornada.
Achei que estava em terra firme,
mas, na verdade, só vazio havia.
Sem você, a vida não é a mesma,
sem você, não há beleza na estrada.
A verdade é que há mar ainda —
muito mar, há mar inavegável.
E esse mar de amar me lembra —
muito amar, que há mar inalcançável.
E te ver de tão longe, sem te tocar,
só me faz sentir — e pensar —
que tristeza é viver sem você,
que triste é viver sem te amar.
E há dias em que o vento me devolve
um eco do teu nome entre as marés,
como se o tempo enfim se comovesse
e me soprasse aquilo que não és.
Já tentei lançar âncoras no peito,
fingir que a solidão é companhia...
Mas o coração, feito veleiro,
te busca em toda aurora que se inicia.
Pois a verdade é que há mar ainda —
muito mar, há mar inavegável.
E esse mar de amar me lembra —
muito amar, que há mar inalcançável.
E agora, que não mais toco teu cais,
recolho as velas, deixo o vento ir.
Nem todo mar se abre para voltar,
mas resta ao coração saber partir.