segunda-feira, 18 de dezembro de 2023
terça-feira, 12 de dezembro de 2023
O Guesa errante
O mar à vista acalenta quem se arrisca,
E faz do peito a proa, firme para navegar.
Não teme o vazio e a sorte incerta,
E ergue-se diante da imensidão do mar.
O guesa errante mergulha em si mesmo,
Não tem para onde ir, nem céu nem lar.
Não há parte que lhe cabe nesse latifúndio,
Sem isso, não há terra à vista para se fitar.
Por isso, é que está sempre a avistar o mar,
E assim ouvirás das sereias os cantares.
E a sorte da morte há de lhe buscar,
Nos confins em que te esconderes.
O mar acalentará o errante navegante,
Cujo peito habita o ímpeto do infinito abraçar.
Não temendo o vazio e a incerta sorte,
Carregará em si a imensidão do mar.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
A natureza humana de João
Sou como sou.
Não vim pra agradar.
Sou cantador.
Canto em qualquer lugar.
Vem dai a indiferença,
Da curiosidade intensa,
Que deseja tudo,
Despretenciosamente.
Meus braços cruzados,
Meu jeito de olhar,
E meus olhos, que tristes,
São o próprio mar.
Não quero enganar.
Portanto, não mereço o crédito.
Não vim pra ganhar, não desejo fama.
Sou cantador, canto a dor e a trama.
Meu reino não é desse mundo,
Mas não vou me fazer crucificar.
Por razão alheia ao verdadeiro,
Que não a mais valia, do mais gozar.
Desejo a simplicidade,
De caminhar por aí.
Olhar, calar, ouvir,
Ver o fluxo da vida, fluir.
Eis minha pretensão.
O que há a conhecer,
Me tornar imortal,
Para depois morrer.
Não vejo mal em matar,
Arrancar a vida, feito capim.
Pois é dom da natureza,
A única certeza: o fim.
Como escapar de nós, do eu.
Ser, por minha vez, o todo.
Absoluto, TAO e qual,
Vestir, enfim, meu rosto.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
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Tudo me levou a esse labirinto
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me vi distante de mim q
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estava perdido no caminho
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As aves que gorjeiam quando acordo têm muito a dizer sobre este mundo, na voz em que repousa um céu sem bordo, no canto que atravessa o ar p...
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