terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O Guesa errante

O mar à vista acalenta quem se arrisca,

E faz do peito a proa, firme para navegar.

Não teme o vazio e a sorte incerta,

E ergue-se diante da imensidão do mar.


O guesa errante mergulha em si mesmo,

Não tem para onde ir, nem céu nem lar.

Não há parte que lhe cabe nesse latifúndio,

Sem isso, não há terra à vista para se fitar.


Por isso, é que está sempre a avistar o mar,

E assim ouvirás das sereias os cantares.

E a sorte da morte há de lhe buscar,

Nos confins em que te esconderes.


O mar acalentará o errante navegante,

Cujo peito habita o ímpeto do infinito abraçar.

Não temendo o vazio e a incerta sorte,

Carregará em si a imensidão do mar.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A natureza humana de João

Sou como sou.

Não vim pra agradar.

Sou cantador.

Canto em qualquer lugar.


Vem dai a indiferença,

Da curiosidade intensa,

Que deseja tudo,

Despretenciosamente.


Meus braços cruzados,

Meu jeito de olhar,

E meus olhos, que tristes,

São o próprio mar.


Não quero enganar.

Portanto, não mereço o crédito.

Não vim pra ganhar, não desejo fama.

Sou cantador, canto a dor e a trama.


Meu reino não é desse mundo,

Mas não vou me fazer crucificar.

Por razão alheia ao verdadeiro,

Que não a mais valia, do mais gozar.


Desejo a simplicidade,

De caminhar por aí.

Olhar, calar, ouvir,

Ver o fluxo da vida, fluir.


Eis minha pretensão.

O que há a conhecer,

Me tornar imortal,

Para depois morrer.


Não vejo mal em matar,

Arrancar a vida, feito capim.

Pois é dom da natureza,

A única certeza: o fim.


Como escapar de nós, do eu.

Ser, por minha vez, o todo.

Absoluto, TAO e qual,

Vestir, enfim, meu rosto.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

@

      Tudo me levou a esse labirinto

                                                        e

    de  nada           /     

           me vi distante de mim       q

    a                                                 u

    z                           que           t     a

    e                       r          n       a     n

    t                      e           o       n     d

    r                    d                      t      o

    e                 n      labirinto     o

    c               e        morava            n

                    r           o               q    o

    a            p           / I \             u    t

                m              |               a    e

   m         o               / \              n    i

    e        c              —----           t

    s            da chegada, até     o     j

                                                         á

       estava perdido no caminho