segunda-feira, 9 de março de 2026

Sobre a impossibilidade de dizer o amor

Falta o que dizer das coisas mais fundamentais.

De onde descendem, em cadeia, todas as palavras: moedas sem lastro.

Presas aos seus veios metafísicos, que só existem na diferença.


Presas fáceis do subjuntivo. Pressas ágeis do linguístico-labirinto.

Verbos que só existem ao se tornarem carne.

Como o amor: esse verbo que só se conjuga ao fazê-lo.


Falta o que dizer das coisas mais fundamentais.

Como diria L. Wittgenstein,

"daquilo que não se pode falar, deve-se calar".


Eu, no entanto, vos digo:

sobre aquilo que não se pode falar,

deve-se ousar ser poeta.

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