Falta o que dizer das coisas mais fundamentais.
De onde descendem, em cadeia, todas as palavras: moedas sem lastro.
Presas aos seus veios metafísicos, que só existem na diferença.
Presas fáceis do subjuntivo. Pressas ágeis do linguístico-labirinto.
Verbos que só existem ao se tornarem carne.
Como o amor: esse verbo que só se conjuga ao fazê-lo.
Falta o que dizer das coisas mais fundamentais.
Como diria L. Wittgenstein,
"daquilo que não se pode falar, deve-se calar".
Eu, no entanto, vos digo:
sobre aquilo que não se pode falar,
deve-se ousar ser poeta.
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