quarta-feira, 4 de março de 2026

R. Wagner

Nas brumas do metal que ao céu se eleva,

Soa um clamor de bronze e eternidade;

É como se a paixão, feita vontade,

Erguesse um templo ardente na alma em treva.


A harpa do abismo, em lânguida cantiga,

Convoca amores trágicos e altivos;

E heróis que, em sonhos míticos e vivos,

Buscam no ardor do sangue antiga liga.


Ali o destino em música se escreve,

E o amor, febril, na morte se consuma;

Funde-se a dor na chama que o dissolve.


Tal qual relâmpago em noturna bruma,

Um beijo eterno o sofrimento envolve,

E a noite em alquimia musical se ouve.

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