O trilho range e chama;
no cio da serra, a fumaça inflama.
Vai zunindo a locomotiva,
de ferro, de fogo, de força viva.
Ressoam sinos da estação,
e o trem responde em ronco e pulsação.
As rodas, na cadência,
marcam o passo bruto da existência.
Bicho de aço e alma sertaneja,
rompe o mato, rasga a madrugada que seja!
Nos campos, o gado espanta o olhar
quando o apito vem longe a cantar.
O trem, no sopro da partida,
e o chão, no rastro da subida.
Vai serpenteando a curva da colina,
com cheiro de graxa e de gasolina.
Chicote de vapor, grito de açoite,
leva o destino em vagão na noite.
A criança acena, o velho tira o chapéu:
lá vai o trem, bufando contra o céu.
Cada gente, na função de sua sina,
segue seus caminhos — homem, mulher,
menino e menina, — e somem nas estradas,
nas cidades e casas, no tempo e destino.
A locomotiva vai embora,
levando o tempo em cada meia hora.
E, no batuque ritmado da esteira,
ressoa o hino da alma brasileira.
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