quinta-feira, 3 de julho de 2025

A Locomotiva Caipira

O trilho range e chama;

no cio da serra, a fumaça inflama.

Vai zunindo a locomotiva,

de ferro, de fogo, de força viva.


Ressoam sinos da estação,

e o trem responde em ronco e pulsação.

As rodas, na cadência,

marcam o passo bruto da existência.


Bicho de aço e alma sertaneja,

rompe o mato, rasga a madrugada que seja!

Nos campos, o gado espanta o olhar

quando o apito vem longe a cantar.


O trem, no sopro da partida,

e o chão, no rastro da subida.

Vai serpenteando a curva da colina,

com cheiro de graxa e de gasolina.


Chicote de vapor, grito de açoite,

leva o destino em vagão na noite.

A criança acena, o velho tira o chapéu:

lá vai o trem, bufando contra o céu.


Cada gente, na função de sua sina,

segue seus caminhos — homem, mulher, 

menino e menina,  — e somem nas estradas,

nas cidades e casas, no tempo e destino.


A locomotiva vai embora,

levando o tempo em cada meia hora.

E, no batuque ritmado da esteira,

ressoa o hino da alma brasileira.

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