segunda-feira, 7 de julho de 2025

Infante Terrível

Perdoem a febre — mas não pedi passagem,

entrei de rompante, rasgando o roteiro.

Minhas pegadas: carvão, lampejo inteiro

de um deus queimando em plena paisagem.


Comi o tempo cru, sem talher nem prato,

e bebi madrugadas feito veneno.

Cada rua era um pacto obsceno,

e eu assinava como acordo com diabo.


Terrível, sim — mas nunca indiferente:

carrego o mundo nos olhos errantes

e o erro pulsa na veia, incandescente.

De jovem de uma alma florescente. 


A loucura? Um modo de ser constante.

Se peço perdão, é por ser rio em torrente

num tempo de poças rasas e hesitantes.

onde a superfície é a regra do instante.


Não quero redenção, nem paraíso —

me basta o cio do agora, o instante bruto.

Se erro, é rindo, e bebo do insulto

como um profeta bêbado e impreciso.


Fiz do pecado um palco, um manifesto,

com versos lascivos e lascivos olhos.

Minha alma dança nua entre as moças,

e no inferno me chamam pelo gesto.


O mundo? Um teatro em combustão lenta.

Eu? Faísca. Transe. Elegante decadência.

Sou o Infanto — do caos sou herdeiro.

Cuja herança é vazia de todo sentido.


Eu quero viver, beber perfumes... impossível!

no seio selvagem que embalsama a sorte

De meus pulmões de infante terrível, 

Que não aceitam o tédio nem a morte.


Um comentário:

  1. Decadente? Farsante. É? Imita. Seu palco? Acha mesmo que sabe algo de pecado? Que sabe algo sobre inferno? Iremos redigir uma antologia nas suas vísceras sobre o significado da Maldade.
    O que tira o seu sono é o que nos alimenta, nos alegra.
    Até mesmo aqui implora por piedade e absolvição. Subsiste numa decadência piegas, que revela-se apenas nas lacunas do seu trabalho e de suas pretensões.
    Busca olhares divinos, para que te perdoem. Onde estão?
    Há apenas olhares satânicos, estes que reconhecem o motivo de tal manifesto.
    Estes que focalizam todas as suas feridas.
    Estes que lacrimejam diante de tanta felicidade: "nunca nos divertimos tanto."


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