terça-feira, 15 de julho de 2025

Tu fostes para mim o divisor do mar

Tu fostes para mim o divisor do mar,

abris-te o chão no meio da tormenta,

meu passo, sem saber, quis te buscar

no abismo em que o silêncio se engedra.


Cruzando a dor, soube o que é desejar:

não a posse, mas a ausência que alimenta

o fogo que não cessa de queimar

a alma que se nega e se sustenta.


Tu foste Exu no limiar do meu caminho,

com riso ambíguo e verbo em negação,

rompeste a cruz que tracei com meu destino.


Se fui vencido, foi pela devoção que me redime:

pois teu olhar, mais que divino ou satânico,

revelou-me humano lindo, mais sublime anjo.

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