Tu fostes para mim o divisor do mar,
abris-te o chão no meio da tormenta,
meu passo, sem saber, quis te buscar
no abismo em que o silêncio se engedra.
Cruzando a dor, soube o que é desejar:
não a posse, mas a ausência que alimenta
o fogo que não cessa de queimar
a alma que se nega e se sustenta.
Tu foste Exu no limiar do meu caminho,
com riso ambíguo e verbo em negação,
rompeste a cruz que tracei com meu destino.
Se fui vencido, foi pela devoção que me redime:
pois teu olhar, mais que divino ou satânico,
revelou-me humano lindo, mais sublime anjo.
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