Suas asas são labirintos de teus nomes,
onde te escondes para também poder voar
sobre as cabeças, sobre as altitudes
que só o ser pode querer, pode sonhar.
E para tanto abandona e absorve tanto,
tanto e descontroladamente,
que quer abrasar a brasa do sol
para cair de lá, ciente, anjo beija-flor.
És quem deseja a pureza inexistente,
quer o céu na terra, o esplendor.
Também és quem trai quem mais amou
e quer virtude, beleza, sem ser merecedor.
Tens na face o dom e o vício de contradizer-se:
buscar ser Deus, e ser o Diabo,
querer o bem, e ter com o mal
cotidianamente acordos tácitos.
És um labirinto encerrado em si,
como todos e todas, sobre todas as coisas.
E quer exteriorizar-se, também como a natureza impele,
mas percebe o segredo — e este é teu mal, anjo caído.
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