O destino jogou com mão fechada,
bateu na mesa os trunfos do sofrer.
Fiquei calado, à beira do perder,
com alma rente à borda da encruzilhada.
Mas tudo tem seu tempo e sua estrada —
até o chão aprende a responder.
Agora é minha vez de amanhecer
no passo rude da alma levantada.
Não peço luz, nem sombra de milagre,
só lanço o lance certo, sem temor,
com fé na dor que forja o andar agreste.
Atravessa-se o tabuleiro num só galope.
Pois quem já viu de perto o próprio ardor
não teme mais o jogo, nem má sorte:
chegou, por fim, a vez do jogador.
Sou eu que faço nascer o sol ao norte.
O jogador descobre-se: peão. Numa encruzilhada entre duas torres e um bispo.
ResponderExcluirO jogador conhece estrategistas, com pretensões artísticas. O jogador hesita, e evita com um blefe. Em vão. O ardor faz parte do arsenal de seu inesperado algoz.
A ausência de temor é irrelevante; sabemos que o seu medo não depende de condição: condiciona.