Desenham-se em mim / sentimentos que ampliam, Num vago horizonte / onde os fins se extraviam. São cores de todo / o matiz, se as visses, Em fortes rompantes / de luzes felizes.
Atravessam linhas / de atrozes tormentos, Que em mim declinam / os meus pensamentos. E as dores e as cores, / sem que eu possa ver, Nesta ausência viva / fazem-me sofrer.
Refém desta imagem, / colorida e ausente, O peito se entrega / ao que a alma sente. A dor se mistura / num traço sem fim,
Pois tudo o que vejo / transborda de mim. Num quadro de angústia, / de luz e de além, Sou desta aquarela / o eterno refém.
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