quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Se eu morrer não me abandones

Se eu morrer, não me abandones, minha amada;

Cara ama, em caros laços de esplendor.

Pois de ti sou feito inteiro e, na jornada,

Sou substância do infinito criador.


Se eu morrer da motocicleta em pleno voo,

Se afogar-me no profundo do meu ser,

Se o meu corpo não contiver o que ressoo,

Se eu findar noutro desengano, acaso ter;


Guarda-me vivo no gesto e na palavra,

No silêncio fiel que nunca perde,

Na lembrança que a ausência se transforma.


Que a morte, ao ver no amor gravado o nome,

Saiba em vão sua lâmina mais brava:

O amor torna eterno o que consome.



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