Perdoem a febre — mas não pedi passagem,
entrei de rompante, rasgando o roteiro.
Minhas pegadas: carvão, lampejo inteiro
de um deus queimando em plena paisagem.
Comi o tempo cru, sem talher nem prato,
e bebi madrugadas feito veneno.
Cada rua era um pacto obsceno,
e eu assinava como acordo com diabo.
Terrível, sim — mas nunca indiferente:
carrego o mundo nos olhos errantes
e o erro pulsa na veia, incandescente.
De jovem de uma alma florescente.
A loucura? Um modo de ser constante.
Se peço perdão, é por ser rio em torrente
num tempo de poças rasas e hesitantes.
onde a superfície é a regra do instante.
Não quero redenção, nem paraíso —
me basta o cio do agora, o instante bruto.
Se erro, é rindo, e bebo do insulto
como um profeta bêbado e impreciso.
Fiz do pecado um palco, um manifesto,
com versos lascivos e lascivos olhos.
Minha alma dança nua entre as moças,
e no inferno me chamam pelo gesto.
O mundo? Um teatro em combustão lenta.
Eu? Faísca. Transe. Elegante decadência.
Sou o Infanto — do caos sou herdeiro.
Cuja herança é vazia de todo sentido.
Eu quero viver, beber perfumes... impossível!
no seio selvagem que embalsama a sorte
De meus pulmões de infante terrível,
Que não aceitam o tédio nem a morte.
Decadente? Farsante. É? Imita. Seu palco? Acha mesmo que sabe algo de pecado? Que sabe algo sobre inferno? Iremos redigir uma antologia nas suas vísceras sobre o significado da Maldade.
ResponderExcluirO que tira o seu sono é o que nos alimenta, nos alegra.
Até mesmo aqui implora por piedade e absolvição. Subsiste numa decadência piegas, que revela-se apenas nas lacunas do seu trabalho e de suas pretensões.
Busca olhares divinos, para que te perdoem. Onde estão?
Há apenas olhares satânicos, estes que reconhecem o motivo de tal manifesto.
Estes que focalizam todas as suas feridas.
Estes que lacrimejam diante de tanta felicidade: "nunca nos divertimos tanto."