quinta-feira, 9 de abril de 2026

Retrato

me deito em teu leito,

desejando adentrar-te o seio,

de tua forma feminina


num cálido par de pernas,

no hálito quente de fêmea,

que me instiga o ímpeto e a tempestade,


numa candura silente que me faz

querer-te inteira — querer-te mais.

com a força que a natureza anseia


numa cadência secreta de gestos,

olhos nos olhos,

teu cheiro de fêmea


tua boca entreaberta

se atreve a dizer

o que antes não ousava,


com uma voz secreta e íntima,

que só existe no instante

de sutileza e de selvageria,


onde se depura o humano,

para inscrever, no gesto,

os animais angélicos que somos.

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