Se quero te comer o tempo todo
deves louvar as deusas e as santas;
sob o fulgor de Afrodite e tantas,
verte-se em mim desejo tão completo.
Não é desordem vã, nem pulsão errante
mas culto antigo às formas que levantas;
em teu existir, que o corpo e a alma encantas,
faz-se do amor um rito dominante.
Se em teu calor persisto e me abandono,
é que em ti vibra um cosmos mais profundo,
onde o querer se eleva além do dono.
E assim, no íntuíto eterno e vagabundo,
não sou excesso, nem ninfomaníaco
mas o ímpeto divino que há no mundo.
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