quinta-feira, 2 de abril de 2026

Buquê de calcinhas

Compõe-se o ornamento íntimo e cálido,

De rendas suspensas, num gesto lírico,

No azulejo branco, o quadro tão tímido,

Desenha um jardim doméstico e onírico.


Cores se alternam em ritmo tão plácido,

Rosa e lilás num contraste mágico,

Como se o varal, em traço simbólico,

Erguesse no ar um segredo idílico.


Nada há de vulgar no arranjo harmônico,

Mas uma poesia de traço clássico,

Onde o cotidiano se faz mítico,

E o gesto banal se converte em tálamo.


Assim se revela, em silêncio cândido,

Um buquê de tecidos, etéreo e lúdico.

Nenhum comentário:

Postar um comentário