Compõe-se o ornamento íntimo e cálido,
De rendas suspensas, num gesto lírico,
No azulejo branco, o quadro tão tímido,
Desenha um jardim doméstico e onírico.
Cores se alternam em ritmo tão plácido,
Rosa e lilás num contraste mágico,
Como se o varal, em traço simbólico,
Erguesse no ar um segredo idílico.
Nada há de vulgar no arranjo harmônico,
Mas uma poesia de traço clássico,
Onde o cotidiano se faz mítico,
E o gesto banal se converte em tálamo.
Assim se revela, em silêncio cândido,
Um buquê de tecidos, etéreo e lúdico.
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