domingo, 12 de abril de 2026

O Tédio do Mundo

No torvo giro atroz do mundo histórico,

Padece o humano em jugo econômico,

E a dor se veste em manto quase lógico,

No rito cego e frio, tão sistemático.


A mulher cede ao laço do matrimônio,

Sem lume algum de afeto recíproco,

E entrega a vida ao pacto monótono,

Num leito triste e árido, solícito.


Todos curvam-se ao fardo patológico,

Consomem o dia, mísero e metódico,

Morrem, ao fim, em silêncio melancólico.


No tédio afoga o ser, quase letárgico,

E a fé, que ilude em véu teológico,

Engana — mas consola — o metafísico.

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