Contra o nevoeiro abstrato e vão,
Que ergue o mundo em pura ideia e bruma,
Prefiro o peso rude deste chão
À forma oca que o pensar perfuma.
Que vale o ser, se é só representação?
Se a ideia espera e no real não se consuma?
Tece o conceito a sua ilusão,
Mas o real não cede às vãs e teológicas sumas.
Ó sábios do espírito absoluto e analítico:
Vosso céu paira — totalmente em vão.
Enquanto o verbo ascende ao vazio,
A história escreve, em sangue, a contramão:
Não é na ideia que o ser se elabora —
Mas no labor, na carne, na contradição.
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