domingo, 12 de abril de 2026

À Sombra de Hegel

Contra o nevoeiro abstrato e vão,

Que ergue o mundo em pura ideia e bruma,

Prefiro o peso rude deste chão

À forma oca que o pensar perfuma.


Que vale o ser, se é só representação?

Se a ideia espera e no real não se consuma?

Tece o conceito a sua ilusão,

Mas o real não cede às vãs e teológicas sumas.


Ó sábios do espírito absoluto e analítico:

Vosso céu paira — totalmente em vão.

Enquanto o verbo ascende ao vazio,

A história escreve, em sangue, a contramão:


Não é na ideia que o ser se elabora —

Mas no labor, na carne, na contradição.

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