Ser lindo é ser sensível: ter no peito
A chama que se acende à luz do mundo;
Ver, como um sol que acende no profundo,
A vida em beleza num puro sentimento.
É ter, no olhar, o assombro ainda perfeito
Da infância que se espanta a cada segundo;
E achar no instante breve e tçao fortuíto
Um milagre secreto e satisfeito.
Ser lindo é ser sensível no sentido
Assim, de quem ama o ocaso que declina
E ao céu crepuscular se inclina, aturdido,
Ao sentir n’alma uma música divina;
Pois belo é aquele, como infante surpreendido,
Sendo verdade aquilo que se afirmara outrora:
Apenas como criança se encontra o paraíso,
Mas que, qual ilha, só pode ser visto de fora.
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