quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Se Tiveres de Matar

Se tiveres de matar, que seja em arte,

fria a mão que aperreia o coração,

sem tremor, sem rumor, sem compaixão,

como lâmina exata que reparte.


Que o gesto não se quebre em qualquer parte,

nem turve o pulso a súbita emoção;

sê lápide no instante da ação

e fecha o mundo ao som que em ti se aparte.


Não chores; que o punhal não tem memória,

nem pesa a culpa à pedra indiferente

que ignora o sangue e ignora a história.


Se és noite, sê total e permanente

na mão que aperta e finda a trajetória

do outro — e segue mudo, simplesmente.

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