Se tiveres de matar, que seja em arte,
fria a mão que aperreia o coração,
sem tremor, sem rumor, sem compaixão,
como lâmina exata que reparte.
Que o gesto não se quebre em qualquer parte,
nem turve o pulso a súbita emoção;
sê lápide no instante da ação
e fecha o mundo ao som que em ti se aparte.
Não chores; que o punhal não tem memória,
nem pesa a culpa à pedra indiferente
que ignora o sangue e ignora a história.
Se és noite, sê total e permanente
na mão que aperta e finda a trajetória
do outro — e segue mudo, simplesmente.
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