quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Embriagando-me com doses mancas de cavalo branco

Embriagando-me com doses mancas de cavalo branco

e tragos amargos de camelos amarelos,

são tardes horas, e já me quero à cama,

mas algo n’alma vem e me atravessa.


E então, o que quereis?, pergunta-me o poeta,

como esfinge assopra o vento que o cabelo leva.

É noite de verão em Curitiba, e a leitura

não me serve como antes para nada.


Quero a liberdade de Pessoa, doirar ao sol

ou, neste instante, como a música, banhar-me à lua,

deitar-me com a amada nua em êxtase.


Penso e existo neste instante, bêbado,

mas cuja alma a tudo se sobrepõe galante.

Sinto muito, e é apenas nisto que sou sublime.

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