Embriagando-me com doses mancas de cavalo branco
e tragos amargos de camelos amarelos,
são tardes horas, e já me quero à cama,
mas algo n’alma vem e me atravessa.
E então, o que quereis?, pergunta-me o poeta,
como esfinge assopra o vento que o cabelo leva.
É noite de verão em Curitiba, e a leitura
não me serve como antes para nada.
Quero a liberdade de Pessoa, doirar ao sol
ou, neste instante, como a música, banhar-me à lua,
deitar-me com a amada nua em êxtase.
Penso e existo neste instante, bêbado,
mas cuja alma a tudo se sobrepõe galante.
Sinto muito, e é apenas nisto que sou sublime.
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