Quem tem alma não dorme em paz consigo,
Nem cabe em si, nem basta ao próprio peito;
É chama que devora o seu abrigo,
É mar que se arrebenta no seu leito.
Traz no olhar um incêndio antigo,
Um clarão de infinito insatisfeito;
Quanto mais mundo alcança, mais mendigo
Se sente ante o horizonte ainda por feito.
Quero estender minhalma além do dia,
Fazê-la campo vasto, aberto e fundo,
Onde caibam minha dor e euforia;
Que ela se alargue em energia pelo mundo,
E, ao dar-se inteira em lúcida ousadia,
Prove ser nada, pois inteiro absurdo sem fundo.
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