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Ousa saber! — que a aurora te convida
A erguer da sombra a fronte altiva e pura;
Rasga do erro a venda escura e dura,
E bebe a luz que esplende à tua vida.
Colhe o momento! — a hora fugitiva
É rosa aberta em tênue formosura;
Se tarda a mão, desfolha-se na altura,
E o vento a espalha em cinza pensativa.
Sê sábio e audaz: no claro entendimento
Arde a centelha heroica do destino;
Quem pensa, forja o próprio firmamento.
Mas goza o instante, ardente e peregrino:
Que a vida é breve sopro no tormento,
E o tempo, um deus severo e assassino.
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