Ó gênio em chamas! — quando ergueste a fronte,
Trovejou liberdade em cada verso;
Fez-se o teu canto um vendaval disperso
A sacudir as bases do horizonte.
No livro ardente — Espumas Flutuantes — cintilava
A febre azul de um sonho soberano;
E em Os Escravos o brado humano
Como maré de dor se levantava.
Que nau fantasma em pranto e sangue aberto
Rasgou o céu no épico lamento teu! —
Era o porão do mundo, em deserto,
Clamando a Deus no verbo que acendeu
A chama viva do oprimido incerto,
E ao jugo infame altivo se opôs, teu.
Salve! — se a morte cedo te colheu,
Não pôde a pá calar-te a voz sonora:
Vives no povo, em cada nova aurora,
Ó Castro Alves, que a História não esqueceu!
Foi teu poema imenso que rompeu
As sombras do açoite e do tormento,
E ao jugo infame altivo se opôs, teu.
Para que dos justos fosse em justo verso.
Salve, cantor que a morte assim venceu,
Pois vives no clamor que o povo entoa,
E a História em luz perpétua te coroa,
Tua poesia, no tempo, não se perdeu.
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