sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Ode a Castro Alves

Ó gênio em chamas! — quando ergueste a fronte,

Trovejou liberdade em cada verso;

Fez-se o teu canto um vendaval disperso

A sacudir as bases do horizonte.


No livro ardente — Espumas Flutuantes — cintilava

A febre azul de um sonho soberano;

E em Os Escravos o brado humano

Como maré de dor se levantava.


Que nau fantasma em pranto e sangue aberto

Rasgou o céu no épico lamento teu! —

Era o porão do mundo, em deserto,


Clamando a Deus no verbo que acendeu

A chama viva do oprimido incerto,

E ao jugo infame altivo se opôs, teu.


Salve! — se a morte cedo te colheu,

Não pôde a pá calar-te a voz sonora:

Vives no povo, em cada nova aurora,

Ó Castro Alves, que a História não esqueceu!


Foi teu poema imenso que rompeu

As sombras do açoite e do tormento,

E ao jugo infame altivo se opôs, teu.

Para que dos justos fosse em justo verso.


Salve, cantor que a morte assim venceu,

Pois vives no clamor que o povo entoa,

E a História em luz perpétua te coroa,

Tua poesia, no tempo, não se perdeu.


Nenhum comentário:

Postar um comentário