Aqui jaz quem alma ousou espalhar,
Não cabe em si, não sabe de fronteiras;
Foi chama, mar e vento em marés inteiras,
Que quis no mundo inteiro se revelar.
Deu-se em luz, sem medo de fracassar,
Buscou no nada a essência verdadeira;
Fez do absurdo sua lei derradeira,
E em cada gesto quis se multiplicar.
Que fique o eco de seu ligeiro passo,
Que a vida inteira foi breve clarão;
Nada contém, mas do mundo fez o fado.
O ouro não foi, mas sim a intenção;
Se o mundo prova ser absurdo e vago,
Ali jaz quem fez do nada brotar paixão.
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