quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Mimesis, ou de como faço poesia

Aprendo com poetas de outros tempos,

E tudo que se aprende se imita;

Busco o eco dos imortais alentos,

No clássico, naquilo que da história fica.


Não me prendo a esquadro nem compasso;

Mas a foice e o martelo é que almejo;

É a voz que, em meu lugar, se abriga,

Rasgando o mundo com os pensamentos.


Não copio, apenas me aproprio, enfim, da forma

Do estilo que a memória, como ondas, perpetua;

E nessa ponte, meu sujeito é subjetiva ideia,

Por outros feitos e pouco a mim afeita.


O verso antigo serve como vestuário,

Mas a alma é minha, inteira, nua;

E toda a poesia é ação complexa,

Como toda estrada que leva a outra rua.

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