Aprendo com poetas de outros tempos,
E tudo que se aprende se imita;
Busco o eco dos imortais alentos,
No clássico, naquilo que da história fica.
Não me prendo a esquadro nem compasso;
Mas a foice e o martelo é que almejo;
É a voz que, em meu lugar, se abriga,
Rasgando o mundo com os pensamentos.
Não copio, apenas me aproprio, enfim, da forma
Do estilo que a memória, como ondas, perpetua;
E nessa ponte, meu sujeito é subjetiva ideia,
Por outros feitos e pouco a mim afeita.
O verso antigo serve como vestuário,
Mas a alma é minha, inteira, nua;
E toda a poesia é ação complexa,
Como toda estrada que leva a outra rua.
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