quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Cor quo vado

Coração, para onde vou? Questiona a rocha altiva

— esfinge à beira-mar, solene e fria —

me fita cinza, muda, a fronte pensativa,

e indaga: “Que quereis, alma tardia?”


Lateja em mim febril clarão que aviva

no sangue a rubra e rútila folia;

sou sal e sol que doura carne convulsiva,

sou a turva ardente maré que me perfila.


De encontro ao céu, aos pés do penedo,

ergo meu rosto ao vento em sobressalto,

e ao longe o mar responde o meu apelo.


Qual Édipo ante a Esfinge, atento e triunfal,

decifro o enigma que me envolve cedo:

meu destino só pode ser de carnaval.

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