Coração, para onde vou? Questiona a rocha altiva
— esfinge à beira-mar, solene e fria —
me fita cinza, muda, a fronte pensativa,
e indaga: “Que quereis, alma tardia?”
Lateja em mim febril clarão que aviva
no sangue a rubra e rútila folia;
sou sal e sol que doura carne convulsiva,
sou a turva ardente maré que me perfila.
De encontro ao céu, aos pés do penedo,
ergo meu rosto ao vento em sobressalto,
e ao longe o mar responde o meu apelo.
Qual Édipo ante a Esfinge, atento e triunfal,
decifro o enigma que me envolve cedo:
meu destino só pode ser de carnaval.
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