quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ensaio para Michel (De l’amitié)

À Michel


Clichê seria dizer

Por que era ele, por que era eu... como disse aquele,

a partir do outro.


Qualquer coisa a um amigo, com ternura, é clichê,

pois todas as cartas de amor são ridículas, como disse o outro.

Também a palavra saudade, esse charme brasileiro.

Mas tua mensagem, que me atribui o coração selvagem,

faz-me querer dizer muitas coisas aqui de cima da serra,

para que as palavras escorram até o litoral, junto da chuva,

tão recorrente nesta cidade industrial, para que, sempre que, ao descer do céu

e atrapalhar-te em algum ofício, lembre que o amo, meu amigo,

e que muito aprendi ao teu lado, nas histórias e conselhos

de quem viajou por todo o mundo e suas filosofias,

para ensinar, com humildade, o dom da gentileza,

que tanto me fez te admirar.


Se Deus existir e for bom, há de ser causa de teu existir.


Posso dizer-te que sou quem sou,

pois tu foste, para mim, quem és.

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