quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Habitando o Instante

No estreito apartamento a noite arde e gira,

Entre bebidas e vozes desatadas;

A quarta expira em lâmpadas cansadas,

E a quinta, em branda aurora, já suspira.


Oh, doce exílio acima do cansaço,

Em que o relógio, tímido, se atrasa

E esquece a lei severa das rotinas!

Vivendo do instante que atravessa.


Aqui, a palavra é cálida carícia,

Que, ao abrir das bocas, funda um mundo

De íntimas pátrias por sentir e ver.


Bêbados — mas não só — embriagados da delícia

De descobrir, no sentir mais íntimo,

A alma jovem com sede de viver.


Escrito em 25 de fevereiro de 2026, no apartamento da Rua Amintas de Barros, entre amigos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário