No estreito apartamento a noite arde e gira,
Entre bebidas e vozes desatadas;
A quarta expira em lâmpadas cansadas,
E a quinta, em branda aurora, já suspira.
Oh, doce exílio acima do cansaço,
Em que o relógio, tímido, se atrasa
E esquece a lei severa das rotinas!
Vivendo do instante que atravessa.
Aqui, a palavra é cálida carícia,
Que, ao abrir das bocas, funda um mundo
De íntimas pátrias por sentir e ver.
Bêbados — mas não só — embriagados da delícia
De descobrir, no sentir mais íntimo,
A alma jovem com sede de viver.
Escrito em 25 de fevereiro de 2026, no apartamento da Rua Amintas de Barros, entre amigos.
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