Meu coração: flor rútila e selvagem,
Que ao vento cresce em lânguida petulância,
Habita o azul das névoas — melancolia —
E sonha além da humana e vã paisagem.
Não teme a dor, nem curva a vã coragem
À fria lei que impõe tirania;
Rompe do chão da amarga travessia
E em rubra luz floresce na voragem.
Vermelha flor — ardente rosa do povo —,
Que do asfalto ergue o cálido perfume
E ao sol resiste, intrépida e sozinha;
Traz na seiva o pecado e o lume novo,
Bebe do amor o fel que a dor resume —
Das flores do mal, sou ramo caído de poesia.
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