quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ramo Caído

Meu coração: flor rútila e selvagem,

Que ao vento cresce em lânguida petulância,

Habita o azul das névoas — melancolia —

E sonha além da humana e vã paisagem.


Não teme a dor, nem curva a vã coragem

À fria lei que impõe tirania;

Rompe do chão da amarga travessia

E em rubra luz floresce na voragem.


Vermelha flor — ardente rosa do povo —,

Que do asfalto ergue o cálido perfume

E ao sol resiste, intrépida e sozinha;


Traz na seiva o pecado e o lume novo,

Bebe do amor o fel que a dor resume —

Das flores do mal, sou ramo caído de poesia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário