É preciso perder para vencer no amor:
Ceder o passo, orgulho e a primazia;
Quem tudo quer, empobrece o ardor do dia
E faz do afeto um cálculo menor.
Amar é consentir no dissabor,
É renunciar à posse e à tirania;
Só vence quem, no risco da agonia,
Aceita a dor secreta como flor.
Pois o amor não floresce em mão cerrada,
Nem vive onde a vitória é proclamada
À custa da rendição do coração.
Perde-se o eu, e nisso está a vitória:
Que só se escreve inteira essa memória
Quando se perde, em si, toda a razão.
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