quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Um jazz noturno de quem a sós caminha

Uma granada lançada ao amanhã,

uma garota deitada sob o divã,

uma palmeira e sua sombra em Itapuã;

tudo diz respeito a um só jeito e coisa.

O mundo quis sujeito e moça num lençol;

sóbrio jaz ao som do jazz, quer mais,

de tudo isso, fisgar-se como num anzol.

como aquilo que explode na manhã, tem mais…

como a fala é linda e tantas vezes vã,

e a sombra lisa e a palmeira áspera,

como se exasperam os gemidos de gozar num arrebol,

pelo qual se espera ansiosamente os corações,

como os sentidos dados, instintivos fados,

como o da palmeira a tapar o sol.

Como a truculência que pinta o céu de sangue e vinho,

se acende o rosto e a fala que se esvai,

como se o mundo fosse apenas um caminho

de granadas e palmeiras a se erguerem para trás. (Guerra e Paz)

E tudo o que se escreve é lume e sombra,

um traço vago, uma espera que não finda,

como se o amor, na carne que se assombra,

fosse o jazz noturno de quem a sós caminha.

Um comentário:

  1. As vezes me pergunto se essas agressões ao bom senso são uma paródia bem elaborada ou se você realmente enxerga nisso algo tão profundamente intrínseco à sua alma que deveria realmente ser exposta em verso. É infame, mas as vezes tão repetitivo que eu fico buscando as palavras diante o meu choque e não as encontro.

    (Guerra e Paz)

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